A Semana do Comer vai de 11 a 17 de agosto. Neste período especial, convidamos você a refletir sobre como a alimentação pode ser uma experiência cheia de significado, encanto e afeto para as crianças. Que ações você pode incluir na sua rotina para cultivar essa ideia?
Há um encanto profundo nos gestos simples de uma criança que se aproxima da comida: os olhos curiosos diante de um alimento novo, as mãos pequenas que exploram cores e texturas, o riso espontâneo que surge entre uma colher e outra. Comer, na infância, é muito mais do que um ato biológico — é descoberta, criação, vínculo, prazer.
Na Aliança pela Infância, compreendemos que proteger o encantamento das infâncias é também cuidar da forma como nos alimentamos e alimentamos nossas crianças. É garantir que o comer seja um tempo de encontro, de escuta, de histórias partilhadas ao redor da mesa — seja ela simples, de chão batido, ou de madeira antiga herdada das avós. É reconhecer que a alimentação tem o poder de nutrir não apenas o corpo, mas também os afetos, as memórias e a cultura.
O Guia Alimentar para a População Brasileira nos ensina que a alimentação adequada e saudável é um direito — e que esse direito só se realiza plenamente quando se respeita a cultura alimentar local, os modos tradicionais de preparo, os ciclos da natureza e os saberes dos territórios. Comer com encantamento é, também, comer com dignidade, com raízes, com liberdade de imaginar e saborear.
Na infância, o comer é cheio de possibilidades: é com os sentidos todos que a criança descobre o mundo, e é pela boca que ela experimenta o tempo, os sabores, os vínculos. O brincar livre — essa linguagem essencial da infância — também se manifesta no comer: quando a criança participa, explora, se envolve e se encanta com os alimentos. Assim, a alimentação se torna território de expressão, de presença e de autonomia.
Por isso, nesta Semana do Comer, celebramos o alimento como parte do brincar, do cuidar, do pertencer. Defendemos políticas, práticas e relações que garantam uma alimentação próxima da natureza, livre de agrotóxicos e da padronização dos ultraprocessados, e cheia de cores, sabores e significados.
Porque proteger o encantamento das infâncias é também proteger o direito a comer com alegria, com afeto e com poesia.