Em 2025, a Semana da Infância e Cultura de Paz acontece de 06 a 12 de outubro, propondo um aprofundamento do tema “Proteger o encantamento das infâncias”, que vem sendo trabalhado em todo este ano pela Aliança pela Infância. Nessa Semana, a Aliança pela Infância convida toda a sociedade a olhar com cuidado, escuta e reverência para o encantamento que constrói pontes e cultiva presença.
Esse encantamento se revela na curiosidade, na alegria espontânea, no brincar livre, na capacidade de imaginar mundos possíveis e de confiar no outro. É um estado de presença e de escuta profunda da vida. Proteger esse encantamento é, portanto, um chamado ético e urgente, que se entrelaça profundamente com a construção de uma Cultura de Paz.
Cultura de Paz não é apenas a ausência de guerra ou violência. É a presença ativa do respeito, da empatia, da justiça social e ambiental, do cuidado mútuo e do compromisso com a vida em sua pluralidade. É nesse horizonte que a infância floresce com dignidade. Ao proteger o encantamento das infâncias, protegemos também o futuro da paz.
Proteger o encantamento é dar tempo para a criação natural da criança, para que ela tenha dúvidas, encontre mistérios e soluções, e contemple a beleza. É preciso desacelerar a rotina das crianças e criar espaços para fabular, investigar, devanear, sem a necessidade de produtividade, de um fim específico que só existe no olhar do adulto. O tempo da criança é o de mergulhar nas experiências, e nesse mergulho ela também se conhece, e cultiva a paz consigo mesma.
Por isso, proteger o encantamento no contexto da cultura de paz é também garantir tempo e espaço para o brincar livre. É permitir que o brincar brote da própria criança no seu próprio ritmo como linguagem que revela e inventa o mundo — nutre presença e a possibilidade de relações mais respeitosas e verdadeiras com o outro.
Refletimos, neste ano, sobre como um mundo em desequilíbrio — marcado por desigualdades, colapsos ambientais e violências cotidianas — compromete a capacidade das crianças de se encantar, de brincar com liberdade e segurança, de viver plenamente sua infância. Por isso, a justiça climática é parte essencial da cultura de paz que buscamos construir. O direito de cada criança a um ambiente saudável, diverso e acolhedor é inegociável.
Proteger o encantamento das infâncias é garantir que elas possam brincar na terra e na chuva, escalar árvores, observar bichos e ciclos da natureza. É cultivar vínculos com o planeta, entendendo que não há paz possível em um mundo devastado. A infância precisa respirar ar limpo, ter água potável, sombra de árvores, diversidade de cores, sons e formas — elementos que alimentam o corpo, a imaginação e o coração.
Da mesma forma, proteger o encantamento é cuidar dos vínculos humanos: das famílias, das escolas, das comunidades. É tecer relações baseadas na escuta, no afeto e na confiança. É defender o brincar como linguagem da paz, onde as crianças aprendem a partilhar, a cooperar, a resolver conflitos de forma não violenta.
Durante a Semana da Infância e Cultura de Paz, a Aliança pela Infância convida pessoas, coletivos, escolas, organizações e territórios a se mobilizarem em torno desse tema. Ações simples, mas potentes — como rodas de conversa, brincadeiras cooperativas, momentos de escuta, mutirões de cuidado com a natureza — podem reacender o encantamento e cultivar a paz desde o cotidiano.
Porque quando protegemos o encantamento das infâncias, plantamos as sementes de um mundo mais justo, belo e pacífico para todos e todas.
Proteger o encantamento da infância é cultivar tempo, espaço e vínculos que acolhem a criança como ela é: inteira, potente, sensível. Para apoiar a mobilização de diferentes territórios e públicos, propomos a seguir alguns eixos de aprofundamento do tema “Proteger o Encantamento das Infâncias” na perspectiva da Cultura de Paz.
Cada eixo destaca aspectos que podem ser cultivados no cotidiano — seja em casa, na escola, nas praças ou nas políticas públicas — e oferece caminhos de ação que ajudam a transformar o cuidado com a infância em gesto de proteção e transformação.
Encantar-se com a vida é um ato político.
Crianças que tocam a terra, observam formigas, colhem folhas, fazem lama e escutam os ciclos do tempo desenvolvem uma relação de cuidado e pertencimento com o mundo. E é essa relação que protege, no presente e no futuro, a saúde do planeta.
Este eixo convida a promover experiências em que a natureza não é cenário, mas protagonista. Uma infância em contato com a vida natural cultiva encantamento — e sem encantamento, não há cultura de paz nem justiça climática possível.
Caminhos de ação:
A arte é como linguagem do encantamento.
Desenhar, dançar, imaginar, representar, construir com as mãos, criar com o corpo — essas são formas de expressão que libertam a infância e permitem que ela se conecte com mundos internos e externos. Quando acolhemos essa potência criativa, afirmamos o direito das crianças de serem autoras de suas próprias histórias.
A arte nos aproxima do outro, da diversidade e da beleza. Por isso, também é ferramenta de paz.
Caminhos de ação:
O encantamento precisa de vínculos para florescer.
Rostos conhecidos, relações de cuidado, espaços partilhados e experiências coletivas dão à infância um senso de pertencimento essencial. Quando a comunidade se organiza para proteger suas infâncias, está também construindo uma cultura de paz enraizada.
Este eixo propõe ações que fortaleçam o tecido social em torno das crianças, reconhecendo que a infância é responsabilidade de todos.
Caminhos de ação:
Cuidar também é encantar.
Gestos cotidianos — como preparar um alimento, oferecer um abraço, escutar com atenção ou respeitar um silêncio — são formas de afirmar a dignidade da infância. Relações cuidadosas oferecem segurança emocional, cultivam confiança e criam o solo para o encantamento acontecer.
Neste eixo, o convite é cultivar uma atenção sensível às necessidades das crianças — e também às nossas, enquanto adultos que cuidam.
Caminhos de ação:
O encantamento está em casa.
Cada família, com sua forma única de existir, é um território importante de aprendizado sobre o mundo. Quando há afeto, atenção e tempo compartilhado, a infância pode crescer com raízes fortes. E uma infância que cresce com raízes pode florescer com encantamento.
Este eixo propõe valorizar e fortalecer os laços familiares, acolhendo suas complexidades e oferecendo suporte para que possam proteger a infância com ternura e presença.
Caminhos de ação: